I
Cada sarda no teu rosto
era,
por direito próprio,
o verso irregular
dum poema inacabado.
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II
Vivo com o teu nome
pegado ao céu da boca,
tal como se, para mim,
fosse uma comunhão perpétua,
e com os teus cabelos,
apenas finos fios de caramelo dourado
a se derreterem na calor do meu umbigo.
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III
E, incoerentemente,
da escuridão
xurdiu a luz,
como teu nome maldito
xurdia de entre os meus beiços
sempre que eu abrir a boca.
E este, era tão diferente,
tão exquisito,
que mesmo roçava a perfeição absoluta.
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IV
De amanhecer contigo
para cada novo dia
o Universo organizava,
para nós,
uma festa de bem-vinda
onde eu era a única convidada.
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V
Que é que se passaria
de saires da nuvem
dos meus sonhos
e virasses realidade?
pergunto para mim própria
com demasiada frecuência,
pois tão afeita estou a te saber fantasia
que sonho contigo,
ainda estando ao teu lado.
A tua encarnação
é o maior dos meus medos
e o mais grande desejo.
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VI
Tão pouco lhe pedi á vida
que esta se acostumou a me dar
apenas nada,
e com isto me conformava,
mas quissera a vida me permitir
conhecer os teus segredos
até chegar à raiz da tua semente maldita.
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VII
A deceção de os anos
passarem sem saber
quem sou nem porque estou,
mas com a certeza absoluta
de que nunca teria a luz de lua cheia
saindo da tua frente,
a luz da lua na noite fria,
essa noite eterna
que já nunca terminava.
E tal era a minha querência
por essa tua pessoa
que cada noite inventava,
para ti,
uma nova madrugada.


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